terça-feira, 13 de janeiro de 2009

RONALDO, A IMPRENSA E OS PORTUGUESES


A excelência de um puto

Cristiano Ronaldo ganhou mais um troféu, desta vez o maior troféu individual do Futebol Mundial. Por grande diferença de votos, ficou à frente de grandes jogadores de outros países e foi classificado como o melhor jogador de 2008, em todo o mundo. O Puto Maravilha, como era chamado já, pouco tempo depois de largar a Academia de Futebol do Sporting, portou-se à altura do acontecimento, apesar da sua idade. Após a entrega do prémio, em Zurique, na presença de grandes nomes do Futebol Mundial, as suas primeiras palavras foram para a família que seguiu a cerimónia através da televisão, no Funchal.

«Podem deitar os fogos...».

Os familiares não esperaram mais e, numa explosão de alegria e amizade ao jogador, lançaram os foguetes que só aguardavam a ordem esperada com grande ansiedade.

Depois de umas palavras simples de circunstância, agradecendo à família, a Alex Fergusson, ao Manchester United, a J. Mendes e aos amigos de profissão, na selecção e no clube, Ronaldo ainda teve tempo para dedicar o prémio "a todos os portugueses" e deixar um mensagem aos adversários. "Quem me conhecia sabia que sempre tive, desde muito jovem, a ambição de ser o melhor jogador do Mundo e graças a Deus, ao meu trabalho e aos meus colegas consegui-o. No entanto, quero frisar que espero cá voltar mais vezes", avisou.

Não sei quantos milhões de portugueses estiveram presentes, em espírito, na cerimónia da entrega do prémio. Sei que, à noite, no programa Prós e Contras da RTP, Cristiano Ronaldo foi discutido e apreciado também por muitos e apareceu, apesar de cansado, nos ecrãs da TV, agradecendo mais uma vez a todos os que o tinham ajudado a singrar na vida, com ênfase especial para a Mãe, os dirigentes da Academia de Futebol do Sporting, sua segunda família, e o treinador do M. United que funcionara como num segundo pai...

Apesar de ser muito jovem e já ganhar milhões com a sua arte e o seu trabalho talentoso, nunca esqueceu as suas origens humildes e falou sempre delas com orgulho e como exemplo a ser seguido pelos portugueses em geral, sobretudo os mais deserdados da sorte, como ele. Um êxito destes não aparece por acaso, mas é o resultado de muito trabalho e persistência, numa luta constante e sem desfalecimentos contra as adversidades que se levantam no caminho. Ficamos todos a saber, ontem, no tal programa, que palavras como estas foram ditas também por Ronaldo aos timorenses que há uns meses o vitoriavam no estádio de Dili, com enorme alegria, apesar da pobreza infinita que os afundava:

-Eu nasci pobre, como vós! A minha origem humilde só serviu de incentivo ao meu trabalho...

Pela sua arte e pela sua postura, para a maioria dos portugueses que gostam de futebol, Ronaldo é já um ídolo, infeliz e provavelmente mais que um exemplo a seguir. Muitos também o invejarão apenas pelos seus milhões ganhos com esforço e honestamente, e desejariam ganhá-los também, mas por métodos muito mais simples, muito menos honestos. Alguns já assim o fizeram, dessa maneira fácil...mas apenas digna de registo nos tribunais e nas cadeias da república.

A inveja, que corrói igualmente a mente de outros, também já foi fazendo mossa por aí, tentando restar mérito ao Puto Maravilha, amparada na mesquinhez que enche o coração de muitos portugueses, a mesma que impede o país de progredir...

Dirão muitos ainda que se trata de Futebol, coisa que não tem nível cultural, ou de sorte, que é coisa que nunca se esforçaram por ter...

Mas o Futebol de hoje não é o de há um século atrás. É uma arte, um entretenimento de multidões que movimenta muitas actividades afins, milhões de empregos e muitos milhões de euros em todos os países do mundo. O Eusébio, o Luís Figo, e agora o Cristiano Ronaldo, já tornaram Portugal mais conhecido no mundo inteiro que dezenas de governos, empresas, ou entidades culturais, como eu próprio já tive oportunidade de verificar em diversos países. Além de exportarem o nome de Portugal, já fizeram certamente entrar nos cofres dos bancos nacionais mais valores que muitas esforçadas empresas do país. Só por isso, que mais não fosse, deveríamos todos estar gratos a estas figuras de humildes origens, que adoram o país onde cresceram, que o ajudam com determinação e esforço, e não têm culpa de serem transformados em vítimas por tantas cabeças mal formadas que abundam por aí...

A Comunicação Social não se tem cansado de enaltecer o Cristiano Ronaldo e feito o elogio merecido do seu prémio. Não fez mais que a sua obrigação.

Mas há, por certo, nesta louvável actuação da Imprensa, alguma distorção que me deixa triste. É que os êxitos portugueses noutros campos, como a Investigação e a Ciência, o universo das Empresas, a própria Literatura, apesar de algumas vezes ser trazida a lume, são deixados na gaveta, ou servidos à população nos mínimos exequíveis, a contrastar com a propaganda acérrima e absurda da politiquice tradicional, dos desastres e das mazelas sociais, da criminologia e da corrupção caseira ou internacional, etc.

Por que razão os maus exemplos hão-de ocupar sempre os maiores espaços da nossa imprensa e não os menores? Por que motivo a maioria da população portuguesa, pacata e honesta, há-de ser bombardeada constantemente com grandes notícias de pequenos factos condenáveis, servindo de veículo e ampliação do tradicional derrotismo português?

O país necessita de fazer um grande esforço para se tornar conhecido lá fora, pelos bons motivos. São estes que devem ser engrandecidos e exportados e não os aspectos negativos que a nossa mesquinhez tece e a nossa imprensa orgulhosamente agiganta, no dia-a-dia das suas publicações.

. Bem gostaria que a Imprensa que deu um bom exemplo de eficácia e patriotismo na apresentação e divulgação da arte e dos prémios do Cristiano Ronaldo, repetisse com frequência o mesmo trabalho, dando espaço ao enaltecimento das pessoas e dos actos que merecem, porque exemplos como o do Cristiano Ronaldo não são únicos no País. Provavelmente, só aguardam divulgação.

Os meus parabéns ao Cristiano Ronaldo. Aqui vai também uma grande palavra de apreço aos seus formadores na Academia de Futebol do Sporting que fizeram despontar a excelência futebolística do Puto e, sobretudo, o transformaram num verdadeiro homem. Não devem ser esquecidos, antes celebrados entre tantos outros.

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